Diário de BordoDia 6 – Acompanhados por golfinhos
4h30 – Na cabine do oficial à ponte trava-se uma autêntica batalha naval, mas com outros propósitos, o de não embater em nenhuma outra embarcação que por ali anda à pesca.
Através do radar e das informações transmitidas pelo vigia, o oficial vai delimitando qual a rota que o navio deve tomar para se afastar dos outros barcos, normalmente mais pequenos, que por ali andam a pescar e por vezes não têm especial atenção à direcção que levam. Os locais de maior tráfego de barcos são normalmente em Leixões, Viana do Castelo e Algarve.
Nas horas mais calmas havia a possibilidade de espreitar pelos binóculos, ver os graus no azimute, adquirir alguns conhecimentos sobre as estrelas e constelações ou até ver o placton a brilhar quando se acendia a lanterna na água. De meia em meia hora era também necessário marcar o percurso na carta marítima. O Creoula navegou entre uma milha da terra, junto ao Cabo de S. Vicente, e as 20 milhas, na zona de Huelva, na fronteira com Espanha.
Pelas 6 horas o oficial voltou a lançar a linha para mais uma pescaria. No dia anterior tinham pescado um atum e um dourado e hoje ainda iriam morder o isco plástico mais dois peixes e uma gaivota que acabou por morrer asfixiada na água.
A ondulação continua forte, cerca de meio metro, e a tripulação reparte-se agora pelo convés onde observam os golfinhos e a costa algarvia e pela biblioteca a ver os milhares de fotos tiradas da viagem e já com saudades daquilo que está a ser, para muitos, o seu baptismo de mar.
Voltámos a içar as velas permitindo ao navio navegar ao sabor do vento, de modo a atrasar o seu trajecto até Sesimbra, onde devíamos chegar apenas na manhã de 11 de Outubro.
(continua)
Texto: Fátima Ferreira
Foto: Ricardo Cordeiro